O reiki aparece cada vez mais em espaços de bem-estar, clínicas e até em algumas unidades de saúde. Mas o que é reiki, como funciona uma sessão e o que dá para esperar de forma realista?
Este guia explica a prática de forma simples e honesta.
O limite, dito de uma vez: reiki é prática de bem-estar e complementar, não é tratamento. Não há evidência científica que o sustente como tratamento de doença. Ele não substitui consulta, exame ou medicamento. Quem tem sintoma procura médico; quem está em sofrimento psíquico procura profissional de saúde mental, pode buscar o CAPS pelo SUS e ligar para o CVV no 188.
O que é reiki
Reiki é uma prática de origem japonesa, sistematizada no início do século XX por Mikao Usui. Na prática, o praticante posiciona as mãos sobre ou levemente acima de diferentes regiões do corpo da pessoa, por alguns minutos em cada posição.
Na explicação da tradição, o praticante seria um canal de uma “energia vital universal”. Essa é a linguagem da própria prática, não algo medido ou comprovado pela ciência.
O nome junta duas palavras japonesas, rei e ki, e costuma ser traduzido de forma livre dentro da própria tradição.
Como é uma sessão de reiki
Uma sessão típica segue mais ou menos este roteiro:
- Conversa inicial: o praticante explica como é a sessão e pergunta se a pessoa aceita toque leve.
- Posição confortável: a pessoa fica deitada em uma maca ou sentada, vestida.
- Aplicação: o praticante coloca as mãos em sequência sobre cabeça, ombros, tronco, pernas e pés, com ou sem toque.
- Ambiente calmo: luz baixa, silêncio ou música suave.
- Encerramento: a pessoa se levanta devagar, bebe água e conversa, se quiser.
Uma sessão costuma durar entre 30 e 60 minutos. Muitas pessoas relatam sensação de relaxamento, calor nas mãos do praticante ou sonolência.
Reiki a distância
Algumas linhas oferecem “reiki a distância”. Vale saber que essa modalidade é ainda mais distante de qualquer comprovação e deve ser tratada apenas como prática de bem-estar.
Os níveis do reiki
A formação tradicional costuma ser dividida em níveis:
| Nível | O que costuma envolver |
|---|---|
| Nível 1 | Introdução, autoaplicação e posições básicas |
| Nível 2 | Aplicação em outras pessoas e símbolos da tradição |
| Nível 3 | Aprofundamento (em algumas linhas chamado de “mestrado interior”) |
| Mestrado | Formação para ensinar e realizar as “iniciações” |
Os nomes e o número de níveis variam conforme a escola. Esses níveis são formação livre, sem reconhecimento do MEC e sem habilitação profissional regulamentada.
O que a ciência diz sobre reiki
De forma direta: as pesquisas sobre reiki são, em geral, pequenas e com limitações, e não sustentam o reiki como tratamento de doença.
O que pode acontecer, como em outras práticas tranquilas, é a pessoa se sentir mais relaxada durante e logo após a sessão. Isso pode estar ligado ao ambiente calmo, à atenção recebida e ao momento de pausa, e não prova a existência de uma energia transmitida.
Por isso, o reiki nunca deve ser usado no lugar de tratamento de câncer, depressão, ansiedade, dor crônica, doenças cardíacas ou qualquer outra condição.
Reiki no SUS: entenda o que significa
O reiki consta entre as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) da política nacional. Algumas unidades da rede pública oferecem a prática.
Isso não é selo de comprovação. Significa que a prática é admitida como complemento, aplicada por profissionais dentro das regras de cada serviço. Usar o SUS como prova de que o reiki “funciona para tudo” é desinformação.
Cuidados e sinais de alerta
O reiki é uma prática de baixo risco físico, já que não usa agulhas, produtos nem manipulação forte. O maior risco é outro: deixar de buscar tratamento por confiar só na prática.
Desconfie de quem:
- promete curar doença;
- pede para você parar ou reduzir remédio;
- faz “diagnóstico” de órgãos ou doenças;
- pressiona para comprar pacotes caros ou “limpezas” adicionais;
- toca regiões íntimas ou não respeita o seu pedido de não toque.
Sinais de um praticante responsável
- Explica antes como é a sessão.
- Pergunta e respeita limites de toque.
- Deixa claro que é prática complementar.
- Pergunta se você está em acompanhamento médico e incentiva que continue.
Reiki x outras práticas integrativas
| Prática | Usa agulha? | Toque | Objetivo declarado |
|---|---|---|---|
| Reiki | Não | Leve ou nenhum | Relaxamento e bem-estar |
| Acupuntura | Sim | Sim | Complemento, mais estudada em dor |
| Aromaterapia | Não | Depende | Bem-estar com aromas |
Se quiser comparar, leia o que é acupuntura.
Quer trabalhar com reiki?
Se a prática despertou interesse profissional, veja o guia como ser terapeuta de reiki e o artigo sobre quanto cobrar por sessão de reiki.
Perguntas comuns antes da primeira sessão
- Preciso acreditar para participar? Não há exigência de crença. Cada pessoa vive a sessão do seu jeito.
- Posso fazer se estiver em tratamento? Pode, desde que continue o tratamento e não use o reiki como substituto.
- Criança pode fazer? Só com autorização e presença do responsável.
- E se eu ficar desconfortável? Você pode pedir para parar a qualquer momento.
Como escolher um praticante ou um curso
Se você vai receber uma sessão, observe:
- Transparência: o praticante explica o que é a sessão e o que ela não é.
- Ambiente: local limpo, privativo e com porta que você pode abrir quando quiser.
- Preço claro: valor da sessão informado antes, sem pacotes empurrados.
Se você quer aprender, pergunte à escola:
- Qual linha de reiki é ensinada e quantos níveis ela tem?
- O curso aborda ética, limites de toque e encaminhamento a profissionais de saúde?
- Há prática supervisionada ou só teoria?
- O certificado é de curso livre? (Sempre será: não há reconhecimento do MEC nem profissão regulamentada.)
Para começar com pouco dinheiro, faça apenas o nível 1, pratique a autoaplicação por um tempo e só depois decida se vale seguir.
Resumo
- Reiki é uma prática japonesa de imposição de mãos, com ou sem toque.
- A sessão é feita com a pessoa vestida, em ambiente calmo.
- Não há evidência que o sustente como tratamento de doença.
- Estar nas PICS não é prova de eficácia.
- Nunca substitui médico, exame, remédio ou acompanhamento psicológico.
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