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Como ser intérprete de Libras: formação exigida por lei

Entenda como ser intérprete de Libras: o que diz a Lei 12.319/2010, a formação exigida, o caminho do básico à interpretação e por que curso básico não habilita.

Imagem de capa do artigo: Como ser intérprete de Libras: formação exigida por leiProfissões & carreira

O tradutor e intérprete de Libras é o profissional que faz a ponte entre a Libras e o português, permitindo que pessoas surdas e ouvintes se comuniquem em escolas, serviços públicos, eventos e muitos outros espaços. É uma profissão regulamentada por lei no Brasil. Neste guia você entende como ser intérprete de Libras e qual formação é exigida.

Este artigo é informativo e não substitui a leitura da legislação. Leis podem ser alteradas: consulte sempre o texto atualizado no portal oficial do Planalto e as regras da instituição em que pretende atuar.

O que faz um intérprete de Libras

  • Interpreta, em tempo real, falas em português para Libras e de Libras para português.
  • Traduz textos escritos para Libras (e vice-versa), por exemplo em vídeos.
  • Atua com ética, sigilo e imparcialidade.
  • Prepara-se previamente sobre o tema do que vai interpretar.

É um trabalho que exige domínio das duas línguas, conhecimento cultural e muita concentração.

O que diz a lei

Dois marcos são importantes:

  • Lei 10.436/2002: reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão.
  • Lei 12.319/2010: regulamenta a profissão de tradutor e intérprete da Libras.

A Lei 12.319/2010 trata, entre outros pontos, da formação exigida para exercer a profissão e dos deveres éticos do profissional. Ela já passou por alterações ao longo do tempo, por isso é essencial ler a versão atualizada antes de planejar sua formação.

Além disso, o Decreto 5.626/2005 trata da formação de professores e intérpretes e da inclusão da Libras na educação.

Por que um curso básico não habilita

Um curso básico de Libras, inclusive o nosso, ensina sinais, gramática inicial e cultura surda. Isso é muito diferente da interpretação profissional, que exige:

  • Fluência em Libras;
  • Domínio avançado do português;
  • Técnicas de tradução e interpretação;
  • Formação ética;
  • Prática supervisionada.

Por isso, nenhum curso livre online habilita para a profissão. Desconfie de qualquer anúncio que prometa isso.

O caminho do básico à interpretação

EtapaO que fazer
1. IntroduçãoCurso básico de Libras e contato com a cultura surda
2. AprofundamentoCursos intermediários e avançados, prática frequente
3. ConvivênciaParticipação em associações, eventos e espaços da comunidade surda
4. Formação exigidaA formação prevista na legislação atualizada, em instituição credenciada
5. AtuaçãoConcursos, contratações, cadastros em instituições
6. AtualizaçãoFormação continuada e especialização em áreas (educação, saúde, jurídica)

Como praticar Libras no dia a dia

Fluência não vem só de aula. Algumas formas acessíveis de praticar:

  • Assistir a conteúdos produzidos por pessoas surdas, observando expressões faciais, uso do espaço e classificadores.
  • Gravar a si mesmo sinalizando um texto curto e comparar com a versão de um sinalizante fluente.
  • Participar de encontros da comunidade surda, sempre com respeito: você está ali como aprendiz, não como intérprete.
  • Montar um glossário pessoal por área (escola, saúde, trabalho) com sinais que você aprendeu e em qual contexto.
  • Fazer interpretação simultânea de treino com vídeos em português, começando por falas lentas.

Erros comuns de quem está começando

  • Achar que Libras é português sinalizado. Libras tem gramática própria; traduzir palavra por palavra empobrece a mensagem.
  • Esquecer a expressão facial, que tem função gramatical.
  • Assumir trabalhos de interpretação cedo demais, em contextos de responsabilidade, só por saber sinais básicos.
  • Aprender só com vídeos, sem feedback de pessoas surdas ou de professores.

Perguntas para fazer à instituição de formação

  1. O curso é reconhecido e aparece no e-MEC (no caso de graduação)?
  2. Há professores surdos na equipe?
  3. Qual é a carga de prática supervisionada de interpretação?
  4. A formação atende ao que pedem os editais da área em que quero atuar?

Onde buscar formação

  • Universidades públicas e privadas com cursos na área de Libras e tradução e interpretação.
  • Institutos federais com cursos e programas ligados à Libras.
  • Instituições credenciadas pelos órgãos de educação.

Confira sempre se a instituição é credenciada e se o curso atende ao que a legislação e os editais pedem. Você pode consultar a situação de cursos superiores no cadastro oficial do MEC (e-MEC).

Habilidades importantes

  • Fluência nas duas línguas;
  • Escuta atenta e memória de curto prazo;
  • Agilidade de raciocínio;
  • Postura ética e sigilo;
  • Conhecimento cultural da comunidade surda;
  • Cuidado com a saúde física (punhos, ombros) e mental, por causa do esforço contínuo.

Mercado de trabalho

O intérprete de Libras pode atuar em:

  • Escolas e universidades;
  • Órgãos públicos e serviços de saúde;
  • Eventos, palestras e congressos;
  • Televisão e conteúdo digital;
  • Empresas e centrais de atendimento.

A remuneração varia por região, tipo de contrato e área. Consulte o Novo Caged, portais de salário e editais de concursos. Nenhum curso garante vaga ou renda.

Primeiro passo

Se você está começando, o curso de Libras Básico é gratuito e ajuda a conhecer a língua. Se trabalha na educação, o de Educação Inclusiva complementa. Ambos são cursos livres, com certificado de conclusão, e não formam intérprete.

Leia também:

Ética na interpretação

O trabalho do intérprete envolve informações pessoais e, muitas vezes, sensíveis. Alguns princípios costumam ser destacados na formação e na própria legislação:

  • Sigilo: o que é interpretado não deve ser comentado com terceiros;
  • Imparcialidade: o intérprete não dá opinião nem toma partido;
  • Fidelidade: transmitir a mensagem com o sentido original, sem acrescentar ou omitir;
  • Respeito à pessoa surda e à sua autonomia;
  • Reconhecer limites: recusar trabalhos para os quais não está preparado.

Por isso, ajudar informalmente um conhecido surdo é diferente de atuar como intérprete profissional, principalmente em contextos como saúde e justiça.

Resumo

  • Tradutor e intérprete de Libras é profissão regulamentada pela Lei 12.319/2010.
  • A formação exigida está na lei, que já foi alterada: consulte o texto atualizado.
  • Curso básico, online ou não, não habilita para a profissão.
  • O caminho passa por estudo aprofundado, convivência com a comunidade surda e formação em instituição credenciada.

Perguntas frequentes

Curso online de Libras habilita para ser intérprete?

Não. Um curso livre de Libras, online ou presencial, ensina a língua em nível introdutório, mas não habilita para a profissão de tradutor e intérprete. A Lei 12.319/2010 trata da formação exigida, e é preciso seguir o que a legislação atualizada determina.

Intérprete de Libras precisa de faculdade?

A exigência de formação está definida na Lei 12.319/2010, que já passou por alterações. Por isso, consulte o texto atualizado da lei no portal oficial do Planalto e as exigências do edital ou da instituição contratante antes de decidir seu caminho.

Onde trabalha o intérprete de Libras?

Em escolas e universidades, órgãos públicos, eventos, emissoras de televisão, serviços de saúde, tribunais, empresas e na interpretação remota, entre outros espaços.

Quanto ganha um intérprete de Libras?

A remuneração varia muito por região, tipo de contratação, área de atuação e experiência. Consulte dados do Novo Caged, portais de salário e editais de concursos para ter uma faixa da sua região.

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