O tradutor e intérprete de Libras é o profissional que faz a ponte entre a Libras e o português, permitindo que pessoas surdas e ouvintes se comuniquem em escolas, serviços públicos, eventos e muitos outros espaços. É uma profissão regulamentada por lei no Brasil. Neste guia você entende como ser intérprete de Libras e qual formação é exigida.
Este artigo é informativo e não substitui a leitura da legislação. Leis podem ser alteradas: consulte sempre o texto atualizado no portal oficial do Planalto e as regras da instituição em que pretende atuar.
O que faz um intérprete de Libras
- Interpreta, em tempo real, falas em português para Libras e de Libras para português.
- Traduz textos escritos para Libras (e vice-versa), por exemplo em vídeos.
- Atua com ética, sigilo e imparcialidade.
- Prepara-se previamente sobre o tema do que vai interpretar.
É um trabalho que exige domínio das duas línguas, conhecimento cultural e muita concentração.
O que diz a lei
Dois marcos são importantes:
- Lei 10.436/2002: reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão.
- Lei 12.319/2010: regulamenta a profissão de tradutor e intérprete da Libras.
A Lei 12.319/2010 trata, entre outros pontos, da formação exigida para exercer a profissão e dos deveres éticos do profissional. Ela já passou por alterações ao longo do tempo, por isso é essencial ler a versão atualizada antes de planejar sua formação.
Além disso, o Decreto 5.626/2005 trata da formação de professores e intérpretes e da inclusão da Libras na educação.
Por que um curso básico não habilita
Um curso básico de Libras, inclusive o nosso, ensina sinais, gramática inicial e cultura surda. Isso é muito diferente da interpretação profissional, que exige:
- Fluência em Libras;
- Domínio avançado do português;
- Técnicas de tradução e interpretação;
- Formação ética;
- Prática supervisionada.
Por isso, nenhum curso livre online habilita para a profissão. Desconfie de qualquer anúncio que prometa isso.
O caminho do básico à interpretação
| Etapa | O que fazer |
|---|---|
| 1. Introdução | Curso básico de Libras e contato com a cultura surda |
| 2. Aprofundamento | Cursos intermediários e avançados, prática frequente |
| 3. Convivência | Participação em associações, eventos e espaços da comunidade surda |
| 4. Formação exigida | A formação prevista na legislação atualizada, em instituição credenciada |
| 5. Atuação | Concursos, contratações, cadastros em instituições |
| 6. Atualização | Formação continuada e especialização em áreas (educação, saúde, jurídica) |
Como praticar Libras no dia a dia
Fluência não vem só de aula. Algumas formas acessíveis de praticar:
- Assistir a conteúdos produzidos por pessoas surdas, observando expressões faciais, uso do espaço e classificadores.
- Gravar a si mesmo sinalizando um texto curto e comparar com a versão de um sinalizante fluente.
- Participar de encontros da comunidade surda, sempre com respeito: você está ali como aprendiz, não como intérprete.
- Montar um glossário pessoal por área (escola, saúde, trabalho) com sinais que você aprendeu e em qual contexto.
- Fazer interpretação simultânea de treino com vídeos em português, começando por falas lentas.
Erros comuns de quem está começando
- Achar que Libras é português sinalizado. Libras tem gramática própria; traduzir palavra por palavra empobrece a mensagem.
- Esquecer a expressão facial, que tem função gramatical.
- Assumir trabalhos de interpretação cedo demais, em contextos de responsabilidade, só por saber sinais básicos.
- Aprender só com vídeos, sem feedback de pessoas surdas ou de professores.
Perguntas para fazer à instituição de formação
- O curso é reconhecido e aparece no e-MEC (no caso de graduação)?
- Há professores surdos na equipe?
- Qual é a carga de prática supervisionada de interpretação?
- A formação atende ao que pedem os editais da área em que quero atuar?
Onde buscar formação
- Universidades públicas e privadas com cursos na área de Libras e tradução e interpretação.
- Institutos federais com cursos e programas ligados à Libras.
- Instituições credenciadas pelos órgãos de educação.
Confira sempre se a instituição é credenciada e se o curso atende ao que a legislação e os editais pedem. Você pode consultar a situação de cursos superiores no cadastro oficial do MEC (e-MEC).
Habilidades importantes
- Fluência nas duas línguas;
- Escuta atenta e memória de curto prazo;
- Agilidade de raciocínio;
- Postura ética e sigilo;
- Conhecimento cultural da comunidade surda;
- Cuidado com a saúde física (punhos, ombros) e mental, por causa do esforço contínuo.
Mercado de trabalho
O intérprete de Libras pode atuar em:
- Escolas e universidades;
- Órgãos públicos e serviços de saúde;
- Eventos, palestras e congressos;
- Televisão e conteúdo digital;
- Empresas e centrais de atendimento.
A remuneração varia por região, tipo de contrato e área. Consulte o Novo Caged, portais de salário e editais de concursos. Nenhum curso garante vaga ou renda.
Primeiro passo
Se você está começando, o curso de Libras Básico é gratuito e ajuda a conhecer a língua. Se trabalha na educação, o de Educação Inclusiva complementa. Ambos são cursos livres, com certificado de conclusão, e não formam intérprete.
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Ética na interpretação
O trabalho do intérprete envolve informações pessoais e, muitas vezes, sensíveis. Alguns princípios costumam ser destacados na formação e na própria legislação:
- Sigilo: o que é interpretado não deve ser comentado com terceiros;
- Imparcialidade: o intérprete não dá opinião nem toma partido;
- Fidelidade: transmitir a mensagem com o sentido original, sem acrescentar ou omitir;
- Respeito à pessoa surda e à sua autonomia;
- Reconhecer limites: recusar trabalhos para os quais não está preparado.
Por isso, ajudar informalmente um conhecido surdo é diferente de atuar como intérprete profissional, principalmente em contextos como saúde e justiça.
Resumo
- Tradutor e intérprete de Libras é profissão regulamentada pela Lei 12.319/2010.
- A formação exigida está na lei, que já foi alterada: consulte o texto atualizado.
- Curso básico, online ou não, não habilita para a profissão.
- O caminho passa por estudo aprofundado, convivência com a comunidade surda e formação em instituição credenciada.
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